segunda-feira, 26 de outubro de 2009

É assim que eles pensam: "A culpa é do Caco Barcellos"

Na delegacia de Amparo, uma casa antiga e caindo aos pedaços, tive uma conversa de outro mundo com um policial militar. Eu estava fazendo uma reportagem sobre o roubo de R$ 1,5 milhão de um carro-forte. Ele tinha levado um homem preso por ordem da juíza da cidade. Motivado pelo assalto que virou assunto na cidade de Amparo, no interior paulista, o Pm começou a filosofar sobre a violência no País.
- "A culpa é do Caco Barcellos", disse o policial.
Na hora, respondi:
- "Como? Culpa do quê?"
E olha a explicação:
- "Desde que ele escreveu o livro sobre a Rota (Rota 66 - História da Polícia que Mata), a polícia não foi mais a mesma. Quem ganhou com isso?? Só o crime". O livro Rota 66 denunciou que a polícia paulista se transformou na década de 90 numa espécie de esquadrão da morte, que assassinou inocentes e também pequenos criminosos a sangue frio.
E o Pm de Amparo continuou:
"A gente prende e tem que decidir o que faz!! Eu pego um ladrão desse, que tem metralhadora e fuzil, por exemplo... Tenho mais é que 'apertar' (puxar o gatilho, matar) mesmo!! Resolve ali, na rua!! Prender pra quê??"
Confesso que esse tipo de conversa acaba com a minha paciência e só fiz uma pergunta:
- "E você, quem é, pra decidir quem vive e quem morre?"
O investigador do outro lado do balcão percebeu que uma discussão estava pra começar e pediu pra que o Pm fosse até o fórum buscar o processo do rapaz preso. Uma pena... Não pra continuar a tal discussão, mas porque daria tempo para o cinegrafista, que estava lá fora fazendo imagens da fachada da delegacia, entrar e gravar a 'filosofia' do Pm de Amparo. Que Deus nos proteja...

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