quinta-feira, 29 de outubro de 2009

É assim que 'nós' pensamos: "Matou porque traiu, tudo bem..."

No último post contei uma história - triste - sobre como pensa um policial militar do interior de São Paulo. Pra não dizer que é fácil criticar os outros, vou contar "um causo" recente que espirra em nós, jornalistas. Outro típico caso de vergonha alheia.
Foi durante a entrevista coletiva da procuradora de Justiça, Valderez Deusdedit Abbud, no Ministério Público de São Paulo, no dia 20 de outubro. A pauta era a prisão do ex-promotor Igor Ferreira da Silva, que se entregara depois de quase nove anos de fuga. Igor fora condenado a mais de 16 anos de prisão pela morte da mulher, Patrícia Aggio Longo, que estava grávida de sete meses.
Num determinado momento da coletiva, o exame de DNA feito no bebê que Patrícia esperava foi citado. O IML paulista atestou à época que a criança não era filha do ex-promotor. A defesa dele apresentou laudos importantes que, de fato, colocam em dúvida o trabalho dos peritos oficiais. Durante o processo, o tal do DNA negativo sempre deu muito o que falar na cobertura do caso, pois levantava a suspeita de um caso de traição conjugal.
Enfim... mais pro fim da coletiva, quando as perguntas disputam o título de pior do dia, um repórter de um grande jornal impresso solta a pérola:
- "Doutora, então se o DNA deu negativo, o filho não era dele e ele matou a mulher por causa disso... ele tem direito a um atenuante no cumprimento da pena, não é??"
Vou terminar igual ao post anterior. Que Deus nos proteja - de nós mesmos...

Um comentário:

  1. Este jornalista poderia ser o advogado do Igor não é mesmo....

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