segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um ano do caso Eloá. E nós, o que aprendemos?

Quero aproveitar a data de 1 ano do caso Eloá pra levantar uma discussão. Pra quem não se lembra (difícil...), a jovem Eloá Pimentel, de 15 anos, foi morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos, em Santo André, Grande São Paulo, depois de ficar 100 horas como refém. Uma amiga dela, Nayara Silva, de 15, levou um tiro no rosto, mas sobreviveu.
A principal polêmica em torno da morte da jovem foi se a polícia não devia ter invadido antes, se errou ao invadir, se negociou mal, etc, etc. O fim trágico deixou de lado uma discussão mais ampla sobre a CULPA e os CULPADOS.
Quem não se lembra do criminoso Lindemberg Alves dando entrevista ao vivo pelo telefone, enquanto apontava a arma para a cabeça de Eloá? Quem não viu entrevistas gravadas desse rapaz nos principais telejornais do País? Ter o direito de falar o que bem entender para o Brasil inteiro teve qual efeito na cabeça desse criminoso? A cobertura (excessiva) em busca de audiência atrapalha a negociação da polícia? Ou essa é apenas a NOSSA função, noticiar e ponto?
No segundo dia do cativeiro de Eloá eu recebi uma ligação do comandante do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) da PM, com um pedido: que nós, do SBT, não entrássemos mais ao vivo durante o telejornal, porque a polícia religaria a luz do apartamento para negociar com o sequestrador. Religar a energia era uma maneira de ganhar a confiança do criminoso durante a negociação. O risco era o de Lindemberg Alves ligar a TV e descobrir o novo posicionamento dos policiais em torno do apartamento. O SBT atendeu ao pedido. Mas uma outra emissora, não.
Vou colocar uma enquete aqui no blog sobre esse tema. Talvez seja hora de discutirmos uma melhor forma de tratar casos delicados como o de Eloá, antes do final infeliz.
Quero saber a sua opinão. Comentários também são muito bem vindos!

5 comentários:

  1. Elisângela Almeida20 de outubro de 2009 18:56

    Totalmente insano e irresponsável a atidude da "tal emissora".

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  2. Então, acho que desde o principio a imprensa foi muito irresponsável, já que o caso era muito delicado. Como estudante de jornalismo, e querendo muito acreditar que possamos fazer jornalismo responsável, acho que temos que ter no mínimo a coerência de não nos intrometermos onde não somos chamados. Noticiar o fato sim, mas não ficar buscando algo a mais só para nos mantermos no ar. Acredito que o jornalismo deve ser revisto, e se buscar mais responsabilidade, é isso...
    Lidia

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  3. Muito bom, Lidia. Você está certíssima!

    Fabio

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  4. Xará, a imprensa é tão culpada quanto a polícia, se é que podemos falar de culpa. Foi uma verdadeira piada a cobertura sensacionalista. Como disse na enquete proposta pelo Ale aí no SBT, nossos cabeças não enxergam o limite da profissão do jornalista. Abs
    Fábio Eitelberg

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  5. Não creio que o jornalismo empurre alguém para o abismo. Mas acredito no nosso papel de condutores rumo ao abismo. É muito espetáculo, muito sobe-som, textos incisivos, chamadas repetidas à exaustão... todos os dias, em notícias de menor repercussão. E aí, quando o caso é nacional e o final não é feliz, discutimos nossa interferência no desfecho. Acho bom! Mas é essa cobertura do dia a dia que torna tudo tão banal, tão aceitável. Infelizmente, o papel do jornalismo tem sido banalizar o mundo. Ainda não conseguimos mostrar o tal “turbilhão social”, visionariamente apresentado pelo angustiante Jean-Jacques Rousseau na primeira fase da Modernidade. Aliás, está em uma obra dele (A Nova Heloísa) uma frase que se encaixa tão bem no nosso cotidiano jornalístico: “ Tudo é absurdo, mas nada é chocante, pq todos se acostumam a tudo”.
    Valentina

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