segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A fantástica evolução da linguagem do crime

Elemento, meliante, leito carroçal, lograr êxito, diligência... . Ouço essas expressões quase todos os dias e até hoje, confesso, ainda sinto vontade de rir. Vira e mexe tenho que segurar a risada durante uma entrevista. Mas é o "rir pra não chorar", porque quando um entrevistado solta uma dessas gírias, a gente já sabe que aquele trecho vai pro lixo.
A linguagem do policial e do bandido é fascinante - do ponto de vista cômico, claro. Neste caso, prefiro a dos bandidos. É que, ao contrário do que muitos pensam, a linguagem do crime evolui ou se "aperfeiçoa" com o tempo. Dois exemplos:
Em São Paulo, nas cadeias controladas pelo crime organizado, existe sempre uma espécie de coordenador, um comandante. Ele tem o controle de tudo. Do dinheiro extorquido de detentos, da venda de drogas e até da disciplina na unidade. No início ele era chamado de "PILOTO". Mas o tempo passou e o nome dele mudou para "JET". E não por causa da tradução do inglês, que seria "jato". Mas por causa de uma antiga marca de roupas, a Jet Pilot: PILOTO --> PILOT --> JET.
Outra evolução desse tipo é a que define os estupradores. Eles sempre ficam isolados nas cadeias, pois correm o risco de morrer. O crime sexual é imperdoável até entre criminosos. Sabe como os estupradores são chamados pelos presos? "OS JACK". Uma referência ao assassino Jack, o estripador, que matava e esquartejava mulheres, no Reino Unido, no século XIX. Olha a tal evolução da linguagem que falei: ESTUPRADOR --> JACK, O ESTRIPADOR --> "OS JACK". Muito bom, não é?

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