quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Somos urubus?

Já ouvi algumas vezes essa frase: "Pronto, chegaram os urubus". Certas pessoas, a maioria vítimas da violência, não entendem que o trabalho da imprensa é tornar pública qualquer história de relevância. Muitas vezes, noticiar é a melhor forma de pressionar autoridades a fazerem sua parte. Um exemplo: o número de assassinatos só preocupa um governante quando ganha as manchetes.
Mas o que dizer à família de Simone Motta, uma secretária de 42 anos? Simone sumiu no dia 20 de outubro. Desesperados, parentes dela procuraram diversos órgãos de imprensa. A idéia era conseguir pistas com a divulgação do caso, de fotos, etc. A maior parte dos veículos de comunicação não deu bola. Alguns, gravaram entrevistas com familiares dela. Mas não as veicularam por falta de uma notícia 'forte'.
Hoje (4), a polícia esclareceu o caso. Simone foi morta por José Rodrigues Junior, de 24 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso. Depois de esganá-la, o criminoso jogou o corpo num matagal e ateou fogo. Simone foi (e está) enterrada como indigente. E - agora - a imprensa quer ouvir a família dela. Só agora... A resposta deles foi um sonoro NÃO!
Pra família de Simone, somos urubus. Não somos?

Um comentário:

  1. Para mim, sem sombra de dúvidas somos. A maioria, uma cambada de urubus frios, sem sentimentos, sem respeito e egoístas.
    Um pouco revoltada, mas infelizmente na minha pequena jornada foi mais isso que eu vi.
    Sempre belos textos. Parabéns!
    Bjs, Norma Pocker

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