quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

No plantão do Ano Novo...

Sobrou acompanhar o presidente Lula. Ele ia inaugurar uma unidade de saúde num bairro pobre, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. É a cidade onde Lula mora e surgiu como líder sindicalista. Centenas de pessoas se apertavam na frente do palanque montado. O mormaço estava forte e o presidente atrasou quase duas horas. Mesmo assim, o povo estava lá.
Eis que veio o presidente. Com ele, inúmeros políticos: o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, o vice-prefeito, Frank Aguiar, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (que está em todas!). São só alguns exemplos. E, claro, que todo mundo queria discursar. E o povo lá.
E fala um:
- "Porque eu encontrei São Bernardo do Campo abandonada por meu antecessor". (Luiz Marinho).
O outro:
- "Me lembro quando eu e Lula há 20 anos lutamos juntos, nesta cidade, em favor da democracia" (vice-governador de SP, Alberto Goldman, do PSDB). Não é piada, juro que ele disse isso.
Naquele momento já começaram as primeiras vaias. E teve mais gente falando também sobre números e investimento. E, claro, não faltou o blá blá de sempre:
- "Como estou emocionada em estar aqui pertinho de vocês..." Essa foi da ministra-adjunta da Saúde, Márcia Bassit.
E o povo ali esperando já com pouca paciência. Enquanto a ministra falava (e muito), duas crianças gritaram:
- "Lula, Lula, Lula!!"
E o pai delas:
- "Cala a boca, dona!! Vai pro inferno!! Queremos ouvir o Lula!! Fála Lula!!"
Enfim, chegou a hora do presidente. Com as palavras dele veio a explicação mais clara de porquê ele se tornou um símbolo de liderança para a maioria dos brasileiros. E esta não é nenhuma opinião pessoal ou defesa política do presidente. É só a constatação de um repórter que assiste.
Lula começou dizendo:
- "Todo mundo aqui ficou falando que vocês vão ter um ótimo hospital, que vai funcionar bem... . Mas eu espero que esse lugar aí fique vazio. Peço a Deus que nenhum de vocês precise vir aqui."
Pronto! Falou na mesma língua daquelas pessoas que queriam ouvir e "se enxergar" no presidente do País.
E tiveram várias outras:
- "Depois o cara enche a cabeça de cana e vem aqui querendo ser atendido rápido. Vai ter que esperar o caso mais grave, hein, uma criança com febre...".
- "O médico vai mandar tomar cinco dias de remédio e a gente é assim, né? Toma três, melhorou e para! Por isso eu quero que o pessoal aí organize um jeito das pessoas devolverem o remédio que sobrar. Porque na casa da gente é assim, né, depósito de remédio, tudo entulhado..."
E foi assim até o final, aplaudido pelo povo a cada frase. A partir daquele momento ninguém mais sequer olhou para os políticos que lotavam o palanque. Na prática, não deu matéria. Só rendeu a rosto vermelho e ardido por causa do sol...

Presidente Lula "examina" a ministra interina da Saúde, Márcia Bassit.

Foto: Helvio Romero/AE

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