terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O fim (triste) de Celso Pitta

"Senhor Diamante, por que o senhor não para de me bater? Não precisa mais, eu já estou destruído." A frase me foi dita em junho de 2000 pelo então prefeito de São Paulo, Celso Roberto Pitta do Nascimento. Eu era repórter do jornal O Estado de São Paulo e vinha numa sequência de matérias com denúncias de corrupção na Prefeitura. Pensei muito antes de escrever este texto sobre a morte de Celso Pitta, ocorrida no último dia 20. Escrever me obrigaria assumir que senti uma ponta de tristeza. Então... vou confessar: senti mesmo.
Celso Pitta foi um dos personagens públicos que mais vi "apanhar". E de todos os lados: imprensa, justiça , parceiros políticos, ex-mulher, filhos, polícia... uma lista interminável. Chegou a ser filmado sendo preso de pijama! Como prefeito (um dos piores que São Paulo já teve), foi obrigado a ouvir perguntas das mais diretas: "O senhor já recebeu propina?"; "Por que abriu uma conta ilegal no exterior no próprio nome?"; "Seus bens estão bloqueados. Seu salário é de R$ 4 mil e o aluguel no flat onde mora é de R$ 3,5 mil. Do que o senhor vive?", foram apenas algumas.
Em todas as ocasiões e escândalos uma coisa era clara. Celso Pitta sentia cada golpe. Tentava manter a educação e a calma (sempre impecáveis), mas pagaria um preço alto por isso. Foi diagnosticado com um câncer no intestino em janeiro de 2009. Oito meses depois estava morto. Não me arrependo de nenhuma pergunta ou matéria que fiz. Mas é impossível não sentir uma ponta de tristeza diante de uma história com fim tão triste.
Abaixo, está uma escuta telefônica da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Entre os alvos, estava Celso Pitta. Na conversa, o ex-prefeito fala com Carmine Henrique, homem de confiança do empresário e investidor Naji Nahas. Celso Pitta foi acusado de receber dinheiro sujo mantido no exterior como recompensa pelos "bons serviços" prestados ao grupo de Nahas em sua gestão na Prefeitura.
Na conversa, você vai ouvir um homem destruído (como ele mesmo disse uma vez), que buscava desesperadamente por dinheiro pra pagar pensão à ex-mulher e escapar da cadeia. O ex-prefeito fala ainda da amargura de ter visto na televisão naquele dia, a notícia de que a filha, de 33 anos, tinha ido parar na delegacia depois de atirar um martelo no zelador do prédio. Ouça e tire sua conclusão:
11_5505_5505_12mar2008_13h06m58s_Carmine e Celso.wav

Um comentário:

  1. É sabido na medicina, que pessoas com este perfil costumam ser vulneráveis a doenças degenerativas e malígnas, precocemente.
    Entretanto não existe uma explicação científica definitiva para o fato, falando-se muito de depressão do sistema imunitário, etc.
    O que não se cogita é a possibilidade de ser um castigo divino. Será que não é? Nós pagamos nossas contas "aquí" ou "lá"?

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