quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Na viagem para o Sudão... a pirataria

A série de reportagens vai ao ar em breve. Mas as histórias sobre os bastidores começam hoje. Na véspera da viagem ao Sudão a principal pergunta que nos fazíamos era: "O que será mais difícil?" E eram várias as possibilidades: a língua (o árabe)? O choque de uma cultura tão diferente? Ver a miséria dos campos de refugiados? Meningite? Hepatite? Cólera? Enfim, chegou o dia e nem imaginávamos que a viagem de ida já seria uma batalha.
A passagem dizia: São Paulo - Istambul (Turquia) - Kartum (Sudão). Um longo vôo de 20 horas, que parecia começar bem, apesar dos pequenos problemas de sempre, como bilhetes iguais para vários passageiros. Mas tudo era resolvido rapidamente. O avião da Turkish Airlines estava vazio. E eu já pensei: "Também, quem vai do Brasil para o Sudão?"
Eis que veio a surpresa: uma tal paradinha pra abastecer em Dacar, capital do Senegal. Quarenta minutos, sem descer do avião. Até ali, o único problema era o calor. De repente... começou a subir uma galera... um atrás do outro! Homens e mulheres com malas e sacolas enormes! Tipo sacoleiro da Rua 25 de Março, em São Paulo, sabe?
Pronto, de cara, nosso primeiro contato com uma cultura completamente diferente. Ninguém pede licença pra nada! Nem em árabe, nem em inglês... nada. Nem um gemido, sei lá! Vai passando por cima e empurrando. A maioria enfiava as sacolas nos bagageiros aos murros, até caber. Nossos novos companheiros de viagem foram se acomodando. E eu e o companheiro Ronaldo Dias, ali no meio, achando um pouco de graça, meio irritados (o irritado, confesso, sou eu).
E o avião decolou pra mais 10 horas de viagem. Os espaços vazios estavam tomados. Homens com trajes árabes, mulheres de véu, tudo tão diferente... e eis que encontramos uma semelhança que fez a gente se sentir em casa. Um monte de gente com roupa, relógio e óculos escuros de grife... pirata! O rapaz com terno Hugo Boss da China esqueceu de tirar a etiqueta da manga do paletó. O outro com traje muçulmano, tinha na testa um óculos Dolce & Gabbana difícil de engolir. Nunca poderíamos imaginar que quase do outro lado do mundo nos sentiríamos em casa por causa da velha pirataria. Em tempo: os "elementos" não gostam de fotos. Pra cada click, uma cara feia e uma reclamação (que a gente não entendia, claro).




Nenhum comentário:

Postar um comentário