quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O teatro das enchentes

Quero fazer um desabafo. Pobre do Jornalismo que se importa cada vez mais com a audiência do que com a informação. As chuvas em São Paulo são a mais recente prova de que caminhamos para o abismo.
A tarde de terça-feira (26) na capital paulista foi marcada por mais um temporal. Ruas tomadas pela água, pessoas ilhadas, carros boiando. As redações, numa hora dessa, correm contra o tempo e também sofrem com as consequências da chuva. Fica difícil andar pela cidade.
Mesmo assim, fomos para rua numa grande operação para que repórteres fizessem entradas ao vivo durante o SBT Brasil. Era preciso chegar aos pontos do caos. Recebi um primeiro endereço: ponde da Rodovia Anhanguera, sob a Marginal Tietê. A informação era de que o trânsito estava completamente parado. Cheguei lá e não tinha nada. Carros passavam sem dificuldade alguma.
Mudamos de local, agora a Ponte do Piqueri. Era a região mais atingida, estava "submersa". E nada também... Não tinha nem poça d' água. Liguei para redação e disse: "Não tem nada aqui também". Em silêncio, me fiz a pergunta: "Como pode?" Tinha ou não tinha alagamento?
E o colega Thiago Bruniera acabou com o mistério. Tinha, mas só na tela de outra emissora de TV, que usava as imagens do alagamento da tarde, com o selo de "AO VIVO". Um grande teatro. Não fiquei muito surpreso, já que a tal emissora sempre faz coisas desse tipo em busca de audiência.
Mas fico triste. Talvez, por isso, a Justiça brasileira tenha decidido que não é preciso de diploma para ser jornalista. Se é pra fazer esse papelão, estudar pra quê, né?

2 comentários:

  1. Que tristeza ao ler isso!
    Tantas histórias disponíveis e pedindo para ser contadas e um "jornalista" preso a uma mentira para enganar aquele que deveria informar.
    Gostos misturados. Triste saber, mas bom saber pela voz de um jornalista que admiro. Alguém que dá o exmeplo diário de que ainda é possível fazer jornalismo - JORNALISMO.
    Beijos,
    Grazi (grastorani@uol.com.br)

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  2. Que tristeza ao ler isso!
    Tantas histórias disponíveis e pedindo para ser contadas e um "jornalista" preso a uma mentira para enganar aquele que deveria informar.
    Gostos misturados. Triste saber, mas bom saber pela voz de um jornalista que admiro. Alguém que dá o exmeplo diário de que ainda é possível fazer jornalismo - JORNALISMO.
    Beijos,
    Grazi (grastorani@uol.com.br)

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