sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O preso sem nome - final

Só pra encerrar a história do preso sem nome de Guaratinguetá. Estivemos na Cadeia Pública da cidade, na quarta-feira (17), para acompanhar o reencontro de Antônio Rodrigues da Silva, de 23 anos, com a família.
O pai, seu Leonídio, de 63 anos, procurava o filho desde 2008. O rapaz nasceu com problemas mentais e desapareceu depois de uma internação. Antônio nunca teve um tratamento médico adequado e nas ruas chegou a se viciar em drogas.
O reencontro não teve lágrimas. Antônio estava assustado. Olhava para o pai e abaixava a cabeça. Depois, pediu uma calça pro irmão:
- "em ua aí?" (Tem uma aí?).
Ele comeu bolachas (dois pacotes em poucos minutos), fumou um Derby do nosso assistente Agamenon, ganhou um par de chinelos, mas não queria muita conversa. Ao final, Antônio foi algemado e voltou pra mesma cela suja onde vai ficar a espera de uma decisão da Justiça. Ele precisa de tratamento psquiátrico e a família não tem dinheiro pra isso. Pra nós, a missão estava cumprida. A reportagem fez com que o pai reencontrasse o filho, que antes era um preso sem nome jogado numa cadeia no interior de São Paulo.
Mas o melhor, ficou pra saída. Na hora do tchau, ganhamos um sorriso e um jóia de Antônio. Três vezes.

Um comentário:

  1. E a justiça? Será q vai cumprir a sua missão quando?
    A dama cega provavelmente deixará o caso lento e aparentemente injusto se a reportagem, por exemplo, não chegar a quem possa tentar mostra-lá por debaixo daquela venda. Esperança é o que nos resta né. Parabéns a vcs, pela matéria e pela conquista do jóia merecido.
    Norma.

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