terça-feira, 9 de março de 2010

A força que temos

Foi um caso típico de quando usamos nossa força para o bem. Na madrugada de segunda-feira (8), um motorista bêbado percorreu 20 km na contramão da Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. Primeiro, quase bateu no carro de uma mulher grávida. Minutos depois, deu de frente com o veículo de uma família. Pai e mãe morreram queimados dentro do carro. A filha, de 12 anos, sobreviveu.
As vítimas são pessoas simples. Não tinham um carro importado, mas um Gol tipo bolinha, bem antigo. Resultado: a polícia registrou o acidente como um simples acidente de trânsito com duas mortes sem intenção. O motorista, que se feriu levemente, seria liberado e a pena dele, na prática, não passaria de uma prestação de serviços à comunidade.
A pressão da imprensa em cobrir de perto o acidente mudou tudo. Outro delegado, que comanda as delegacias da região, entrou no circuito. Num telefonema ao subordinado, ele disse:
- "Você ficou maluco? Está toda a imprensa aí, em cima, na sua porta! Prende esse cara em flagrante agora e enfia um (homicídio) dolo eventual nele."
O motorista foi preso ainda no hospital e vai responder por dois homicídios intencionais. Quem dirige bêbado na contramão de uma estrada assume o risco de provocar mortes. Se a Justiça trabalhar direito, ele ira a júri popular.
Não diminui em nada a dor da menina de 12 anos que viu pai e mãe morrerem queimados dentro do carro. Mas reafirma nosso papel de não sermos apenas os chamados urubus, que só aparecem no velório em busca de uma rápida entrevista.

Carro de João Luiz Montanheiro, de 48 anos, e da mulher dele, Euclydnéia Pinto de Assumpção Montanheiro, de 43 anos, mortos no acidente.

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