segunda-feira, 5 de abril de 2010

Quando o repórter tem sorte e escapa do circo

De volta...
Norma, que sempre passa por aqui, deixou um comentário com perguntas sobre o julgamento do casal Nardoni. Está no post anterior. Fiquei de fora da cobertura, por causa de uma viagem. E como bem disse a Norma, por um golpe de sorte do destino. Sorte porque se a cobertura do crime foi tão ruim e exagerada a do julgamento não poderia ser diferente.
Sobre a culpa do casal, Norma, me parece que não há dúvida. Essa é a minha opinião. Mas também tenho certeza que se Alexandre e Anna Carolina fossem inocentes - e erros judiciais acontecem no mundo inteiro - eles estariam condenados da mesma forma. Isso é assustador, não?
Assisti uma pequena parte da cobertura por uma TV com imagem péssima lá na distante cidade de Oiapoque, no Amapá. Confesso que vi poucas matérias de um único telejornal já que lá só pegava uma emissora. Assisti a reportagens sérias e explicativas, sem espetáculo.
Mas pelas conversas que tive na volta, não há muito o que comemorar. Colegas descreveram a cobertura como um grande circo. Teve até assistente de uma emissora dando tapa em UMA repórter de outro canal que se preparava para entrar ao vivo. Pelo que disseram os amigos (com menos sorte que eu), nos tornamos os palhaços do tal circo...
Na próxima, começo a contar histórias lá do Oiapoque.

Um comentário:

  1. É, meu caro, infelizmente o velho circo da tv precisa de seus palhaços... E me parece que o público gosta dos palhaços que empunham microfones. E um repórter que experimente dar a mínima impressão de apatia numa cobertura como essa, sentirá a fúria da torcida organizada dos jurados telespectadores de plantão.
    Os caras jogam uma criança pela janela, ou sabe-se lá quem, vão para a cadeia, são condenados no julgamento reality show do ano (deve ter dado mais audiência que decisão do BBB) e o povo, ao final de tudo, vibra com a condenação. Mas estão comemorando o que? A ressureição da garotinha? Claro que não, isso não vai acontecer, apesar de que renderia uma boa audiência. Na verdade, quem pode, nesse caso, comemorar alguma coisa, é quem precisava da mídia e do povo atentos a outros assuntos para que pudesse, sem ser notado, articular suas sujas manobras. E para ajudar nessa tarefa, é claro, entraram em cena, para alegria geral da nação, os palhaços empunhadores de microfone. Coitados (se bem que alguns deles bem que gostam desse circo).
    Meu caro, que sorte você teve. Aguardo as histórias lá do Oiapoque.

    Abraço;

    Marco Carrero.

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