terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma "molecagem" em russo

Vou confessar uma "molecagem". Foi na Guiana Francesa, onde fomos gravar para o SBT Repórter - A Última Fronteira. A língua oficial por lá é o francês. E eu não passo do "Je ne parle pas français", ou seja "Eu não falo francês".
Alguns guianeses falam inglês, mas ficava evidente que o fato de eu não falar francês os incomodova bastante. Eram muitas caras feias. Então, num determinado dia eu disse a uma funcionária emburrada da empresa aéra local:
- "Parler anglais, portugais ou russe?" (Fala inglês, português ou russo?)
- "Russe??", ela me perguntou.
E eu:
- "Oui! Dassaev Borovsky Chivadze Bal Baltacha Demianenko Shenghelia Bessonov Gabrilov Oganesian e Blokhin".
Aí, tudo mudou! Eram só sorrisos e tapinhas nas costas. Simpatia de sobra. Eu expliquei a ela que o que acabara de dizer em russo eram frases do tipo: "como você é simpática; que horas são?; tem uma caneta?". Passei a fazer isso a toda hora. E ninguém mais fez cara feia para o repórter brasileiro que não falava francês.
As palavras em russo são, na verdade, a escalação da União Soviética na Copa do Mundo de 1992. Eu tinha dez anos e ganhei, na época, um time de botão daquela seleção. Decorei o nome dos jogadores e nunca mais esqueci...

4 comentários:

  1. Grande sacada e grande lembrança. Eu nunca consegui decorar estes nomes, mas era muito gostoso ouvir esta escalação dezenas e dezenas de vezes, como até hoje...

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  2. Boa noite, caro repórter... tenho acompanhado o jornalismo do SBT e tenho notado um grande avanço e credibilidade. Trabalho em um supermercado e como todo trabalhador, não tenho muito tempo para assistir tv, porem sempre que posso procuro me informar sobre o que é noticia no Brasil e no mundo. A primeira vez que vi uma matéria sua foi na reportagem sobre o Oiapoque, foi triste ver a prostituição assim tão de perto e o pior de menores, parabéns pelo belo trabalho e por seu talento e coragem. Aldry Alex, Jacareí-SP.

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  3. Olá, meu caro;
    Legal essa sua tática. Passei por algo semelhante em Paris. Na ocasião, vindo da Inglaterra, francês na mesma base do que você colocou, tentando falar "british english" com aquele pessoal simpático de lá. Foi um desastre. O interessante é que eles ficam te dizendo que não falam inglês, mas quando você começa a tecer interessantes comentários - em inglês - sobre a amabilidade deles, eles bem que entendem.
    Aliás isso pode parecer um tanto folclórico, mas há algum tempo o governo francês editou uma cartilha muito educativa voltada à população nativa, que dava noções sobre como tratar com mais cordialidade turistas e etc.
    Penso que a tal cartilha não chegou na Guiana (se bem que em Paris deve ter ido para o lixo). Como dizem nossos simpáticos amigos, "C'est la vie..."

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