segunda-feira, 17 de maio de 2010

O lado triste do furo de reportagem

A história do menino haitiano encontrado numa estação do Metrô em São Paulo tem um lado triste que não revelado em nenhuma reportagem. O garoto, de 11 anos, foi vítima de tráfico internacional de crianças. Foi levado do Haiti, antes do terremoto, e passou pela Argentina, Paraguai e Bolívia antes de chegar ao Brasil. O destino final seria a Guiana Francesa.
Ele foi encontrado no fim do ano passado. Policiais o levaram até uma Vara da Infância e Juventude. Assustado, ele contou, em creóle (língua do Haiti), que escapou de um suposto cativeiro onde estavam mais crianças. Uma investigação sigilosa localizou a família do menino no Haiti. A Polícia Federal, com ajuda do garoto, estava chegando perto da quadrilha de traficantes de pessoas. Não preciso nem dizer que o sigilo era a melhor forma de garantir a vida do menino.
Pois bem. Alguns jornalistas foram informados da história. E todos receberam um pedido de que a notícia não fosse revelada por enquanto. Isso manteria o garoto em segurança, assim como facilitaria o trabalho da polícia em prender os traficantes.
Mas um repórter de um grande jornal impresso não atendeu ao pedido. Deu a notícia e ainda estampou a foto do garoto. Resultado 1 : a segurança do menino precisou ser reforçada e a investigação corre o risco de não chegar aos traficantes. Resultado 2: todos os veículos de comunicação se sentiram obrigados a noticiar também.
O repórter e o jornal em que ele trabalha ficaram muito felizes com o 'furo'. E já se explicaram com a velha justificativa: "Era uma informação relevante e de interesse público". Então, tá...

Um comentário:

  1. Díficil né amigo?!
    Se olharmos pelo lado positivo podemos dizer que a maior parte dos colegas entendeu a questão...nao era assim há tempos...
    Pelo lado negativo, dá pra dizer apenas que nem sempre entendemos nossas responsabilidades e num jogo porco ainda atribuímos isso ao interesse público...fácil assim...

    Grande beijo

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