terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando o melhor é derrubar a matéria

Fomos até Taubaté, no interior de São Paulo. Duas horas de estrada por causa de uma história curiosa: um ladrão invadiu (7 vezes) um salão de cabeleireiros. Detalhe: o bandido era um advogado conhecido na cidade e as câmeras de segurança tinha gravado tudo. A informação justificava o investimento.
Chegamos ao tal salão e estava tudo lá. Vários vídeos mostravam o susposto bandido pulando o muro, pegando bancos, produtos de beleza e documentos. Num primeiro momento, o que me chamou a atenção foi que o tal bandido olhava pra câmera. Parecia que ele fazia questão de ter o rosto gravado.
Durante a conversa, descobrimos que o tal advogado suspeito tinha tido um relacionamento com a filha da dona do salão. Os dois tinham uma filha e havia uma briga pela guarda da menina. Depois, o filho da dona do salão nos mostrou fotos do advogado (e ex-cunhado) numa montagem feita por ele mesmo para provar que se tratava da mesma pessoa.
Na saída, mais duas informações importantes: com base nas filmagens, a família já tinha conseguido que um juiz suspendesse as visitas do advogado à filha. Afinal, ele podia ser um ladrão! Pra completar, o tal advogado estava de casamento marcado para o próximo sábado.
Na delegacia, o delegado me disse que, realmente, o ladrão era muito parecido com o advogado. A suspeita era grande. Mas não havia uma prova concreta. Disse ainda que existiam muitos boletins de ocorrência registrados com brigas do casal. Teve até tapa... O policial também contou que chamou o advogado na delegacia depois dos primeiros roubos e disse:
- "O senhor foi filmado roubando dois banquinhos do salão. Está gravado."
O advogado negou (até aí tudo bem, porque advogados negam tudo...) Só que o mais incrível é que dois dias depois, o ladrão voltou ao salão para roubar mais. E foi gravado da mesma forma. Dá pra acreditar que o advogado voltaria, mesmo depois de ser avisado? Seria tudo uma armação, com um ator parecido com o tal advogado?
Pois é... Sem fazer juízo de valor, senti que nós poderíamos ser usados numa briga pessoal. A decisão foi derrubar a matéria. O risco de cometer um erro era bem maior do que a importância da notícia.
Veja um dos vídeos:

Um comentário:

  1. Demais a pose que o sujeito fez para roubar banquinhos de plástico... Abs

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