segunda-feira, 14 de junho de 2010

Três vezes vítima

Na última sexta-feira, o corpo da advogada Mércia Mikie Nakashima, de 28 anos, foi encontrado. Estava numa represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. O carro dela foi localizado um dia antes. Foram vinte dias de angústia para a família, que espalhou cartazes por toda cidade de Guarulhos. De lá pra cá, foram muitos telefonemas. Trotes, pedidos falsos de resgate e uma informação de que Mércia podia estar no fundo da represa. Uma pessoa dizia ter visto um carro igual ao dela, um Honda Fit prata, ser jogado nas águas. A família procurou a polícia, que não quis nem checar a informação. Diziam ser mais um trote.
- "Deixa a gente trabalhar", foi a frase que ouvi um delegado dizer ao telefone para o irmão incansável de Mércia. Ele falava sobre a represa. Foi no dia 27 de maio. A família também pediu ajuda à imprensa. Alguns jornalistas procuraram os policiais com a informação de que o corpo estava na represa. Um colega de uma emissora de TV ouviu a seguinte resposta:
- "Tenho mais o que fazer do que procurar corpo em represa".
O corpo de Mércia só foi achado porque pai e irmão da advogada procuraram os bombeiros com um pedido para que mergulhassem nas águas da represa. Foram atendidos. Um jornal de hoje (clique aqui) traz uma reportagem em que policiais civis têm a coragem de criticar o resgate feito pelos bombeiros. É muita cara de pau!
No post anterior, escrevi que Mércia e a família tinham sido vítimas duas vezes: da violência de um crime bárbaro e da imprensa, que fez da cobertura do caso o triste espetáculo de sempre. Mas os parentes da advogada também foram vítimas da nossa polícia. Falta mais o quê?

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