terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando a mentira não cola

Agosto começou com um ousado ataque da facção criminosa PCC à polícia de São Paulo. Numa emboscada, bandidos tentaram matar o comandante da ROTA, coronel Paulo Telhada. Não conseguiram. Horas depois, integrantes do PCC atiraram contra o quartel da ROTA. Um dos bandidos ia jogar um coquetel molotov por cima do muro e acabou morto. Em seguida, mais de dez carros foram incendiados na zona leste da capital, região marcada por confrontos entre a PM e o crime organizado.
A queda-de-braço entre PCC e polícia não é mais novidade, não surpreende ninguém. O que impressiona é o tipo de preocupação do governo. Reuniões foram feitas às pressas. O medo maior era que a imprensa desse muito espaço para o episódio e, assim como em 2006, São Paulo parasse na segunda-feira, dia de volta às aulas. Seria um desastre. Não para o cidadão, mas para a imagem do governo em um ano eleitoral.
A cara de pau chegou a tal ponto que um coronel da Polícia Militar foi destacado para negar que foi um ataque do crime organizado. O policial chegou a dizer numa entrevista a mim e ao colega Rodrigo Hidalgo que quem foi atacado não foi o comandante da Rota e sim "o cidadão chamado Paulo, que saía de casa com a família". Duro de engolir. Assim que a longa e tensa entrevista terminou, o coronel soltou a seguinte frase: "Difícil com esse pessoal, hein. Os caras apertam... Arruma um copo d'água que a boca secou..."

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