quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Roger Abdelmassih e a Justiça

Saiu a condenação do médico Roger Abdelmassih: 278 anos de prisão, acusado de abusar sexualmente de 39 pacientes. Roger foi durante anos uma referência em reprodução humana e a clínica dele esteve entre as mais famosas do Brasil. As primeiras denúncias contra ele chegaram à imprensa há mais de seis anos. E demoraram a ser noticiadas. Era assim: todo mundo sabia, tentava provar, mas nenhum repórter conseguia algo concreto. Ainda mais contra um médico muito bem relacionado, com amigos em todas as esferas do poder, inclusive na imprensa.
Estou postando a sentença da juíza Kenarik Boujikian Felippe, que tornou pública a decisão, preservando os nomes das vítimas. Sem nenhum tipo de paixão, essa sentença deve ser vista como um divisor de águas. A vergonhosa lei brasileira diz que a mulher vítima de violência sexual tem 6 meses para denunciar o crime. Depois disso, não pode mais. Como se os efeitos de um estupro tivessem prazo de validade. E mais: a promotoria só pode processar o criminoso se a vítima pedir e se a famíla dela for pobre. Se for rica, não pode!  As vítimas do médico Roger não teriam mais direito de reclamar. A juíza, na sentença, afastou esse argumento arcaico de uma lei de 1940: "Em todo o nosso ordenamento jurídico penal, não existe delito que faça distinção entre vítimas pobres e ricas. O único crime que possui tal distinção é o de natureza sexual, o que é inaceitável." 
Abaixo, a íntegra da sentença:

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