terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Resposta sob medida

A entrevista para televisão é sempre um momento delicado na hora de fazer uma reportagem. Muitas vezes, o entrevistado se enrola, fala demais ou não completa o raciocínio. A gente fica ouvindo a resposta e pensando: "é essa que vale". Tem gente que prefere o caminho mais fácil e antes de gravar diz para o entrevistado o que ele tem que dizer. Sei que parace absurdo, mas muita gente faz isso. Mas, em geral, o repórter só pede uma coisa dessas quando está sozinho com o entrevistado. Afinal, é muita vergonha, né? É fuzilar o pobre do jornalismo.
Não é que ontem até isso mudou? Estávamos na porta de uma delegacia, aguardando a saída de um rapaz, homossexual assumido, que tinha sido agredido na Avenida Paulista por estar de mãos dadas com o namorado. Depois de prestar depoimento, o rapaz gravou entrevista com os vários repórteres ao mesmo tempo. E falou bem. Tinha resposta pra escolher. De repente, uma repórter de uma emissora de TV soltou na frente de todo mundo:
- "Olha só, querido: eu preciso que você diga uma frase. É pra abrir a minha matéria, quero começar com ela. Você tem que falar assim: 'Eu sou gay e fui espancado na Avenida Paulista' ".
Eu procurei um buraco pra me esconder. Que vergonha!!! O pior é que o cara falou a frase. E a repórter ficou toda feliz e contente. Sem nenhum pingo de vergonha.

2 comentários:

  1. Ja ultrapassamos, e muito, o limite entre realidade e ficção...os conceitos vão se misturando de tal forma que nem mesmo a vergonha da as caras...
    Abs.,
    Alexandre

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  2. Olá, meu caro;

    E depois quem não tem vergonha na cara é político... Jornalista, não, imagina, jornalista é ético. Infelizmente, penso que, da mesma forma que muitos políticos, alguns jornalistas por aí - como essa colega que você citou - estão trocando o "ético" pelo "patético"...

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