segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um sábado de lições

Sábado fiz uma matéria sobre o recorde de transplantes de órgãos em São Paulo. É tão bom dar boas notícias. Foi um dia difícil, muita chuva, horário apertado, tudo muito longe... Mas foi um daqueles dias pra não esquecer. Primeiro, fomos até a casa do Élcio. Há quatro meses, ele recebeu um fígado novo depois de anos e anos de sofrimento. A família em torno dele, o sorriso dos filhos, da esposa e até da sogra são inesquecíveis.
Depois fomos conversar com pessoas que continuam na fila do transplante. Conheci duas jovens com o mesmo nome: Patrícia. Uma de 19 anos e a outra de 21. As duas receberam rins novos mas houve rejeição. Agora, elas voltaram para a longa fila. Fizemos as entrevistas enquanto elas faziam hemodiálise. Três vezes por semana, durante quatro horas elas passam por esse procedimento. E as Patrícias deram a entrevista sorrindo o tempo inteiro. Uma grande lição.
No final, eu tinha que gravar a passagem. A "regra" do telejornalismo diz que  a passagem do repórter deve ser feita num local que ambiente a reportagem. Muitos fariam no hospital, com as pessoas "ligadas" às máquinas de diálise ao fundo. Eu não consigo. Me sentiria desrespeitando aquelas pessoas. Não admito usar pessoas que sofrem ou passam por um triste momento como cenário. Fui pra rua e gravamos uma curta passagem, na chuva mesmo. Pra ver a reportagem, clique aqui.

Um comentário:

  1. Deve ser realmente muito gratificante transmitir uma boa notícia, principalmente em meio a tantas tragédias que tomam a maior parte dos noticiários. Parabéns pelo trabalho e pela ética.

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