terça-feira, 5 de abril de 2011

Do Japão para Cunha

Uma das primeiras matérias que fizemos depois de voltar do Japão foi em Cunha, no interior de São Paulo. Duas irmãs, Josely de Oliveira, de 16 anos, e Juliana de Oliveira, de 15, tinham sido assassinadas na área rural da pacata cidade. Ronaldo Dias e eu fomos pra lá bem cedo, saímos às 5h da manhã. Quando chegamos, vimos uma cidade em choque. A missa na catedral da cidade, o cortejo até o cemitério e o enterro estavam lotados. Parecia que a cidade inteira estava lá. Ainda no cemitério, após o enterro, fiz uma entrevista com o pai das meninas, seu José Benedito de Oliveira. Homem simples do campo, católico fervoroso, ele estava destruído, apesar da fé. Entrevistar seu Jose foi uma tarefa difícil. Me incomoda muito fazer esse papel. Comentei com Ronaldo Dias logo em seguida e ele concordou. Prefiro os riscos da cobertura no Japão do que entrevistar um pai que acabou de enterrar duas filhas.

Missa de corpo presente, na Catedral de Cunha

Um comentário:

  1. É preciso muita delicadeza e sensibilidade para se fazer um trabalho assim. Muitos repórteres tem aquela tendência a perguntar "o que vc está sentindo?" como se a resposta pudesse ser algo como: "Tô feliz, vou até sair pra festejar..." é preciso cuidado e respeito com o ser humano para se extrair a emoção sem que a reportagem fique tosca e sensacionalista. Realmente deve ser mais fácil correr riscos do que mexer com a dor das pessoas. Parabéns pelo cuidado.

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