terça-feira, 24 de maio de 2011

Pimenta Neves: o último capítulo

Acabou a novela Pimenta Neves. Onze anos depois de assassinar a jornalista Sandra Gomide, confessar o crime e ser condenado a 15 anos de cadeia, enfim, a Justiça mandou prender o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves. Eu trabalhava no Estadão quando o crime aconteceu. Conhecia os dois. Pimenta Neves era nosso chefe. Um homem duro, mas competente. Sandra era colega na editoria de Economia do jornal. Uma pessoa tranquila.
Os repórteres de polícia (Marcelo Godoy, Renato Lombardi e eu) ficaram com a responsabilidade de cobrir a investigação toda. Por ordem do jornal, nenhuma matéria seria assinada por nós. Vivemos momentos difíceis. A imprensa queria saber o que tinha acontecido para o namoro de Pimenta e Sandra acabar em morte. E nós, repórteres do Estadão, passamos a ser vistos como possíveis fontes. Uma enorme inversão. Ser abordado por colegas que faziam promessas de manter a fonte em sigilo foi um grande ensinamento pra mim. Repórteres de emissoras de TV olhavam torto pra gente no prédio do Departamento de Homicídios.
Também vivemos e testemunhamos os rumos da difícil cobertura do caso no Estadão. No começo, a expressão"assassino confesso" tinha que ser "evitada". No máximo, um "acusado". O primeiro texto dizia que Sandra Gomide "perdeu a vida" em vez de simplesmente "morreu". Nos dias seguintes ao crime, Pimenta Neves se internou numa clínica e arrumou um atestado médico para escapar da prisão. Em uma dessas noites, pouco antes do fechamento do jornal, recebi um recado: Pimenta Neves tinha acabado de ligar para a redação. Lá da tal clínica, o "acusado" fez questão de reclamar de uma das matérias que tínhamos escrito. Segundo ele, estávamos dando "muito espaço pra família daquela mulher".

Um comentário:

  1. Menino te achei!Adimiro o seu trabalho há um tempo,que bom você compartilha conosco suas experiências!Quanto ao post,é que as vezes demora mas chega a hora de se pagar,eu me questino as vezes é porque nosso Brasil é tão lento pra resolve o óbvio,mas...chega a hora.
    Tudo de bom!
    Abraços
    Drica

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