segunda-feira, 4 de março de 2013

Nem sempre dá certo...

Quando viajamos até o sertão da Bahia tínhamos duas missões: revelar detalhes da investigação que descobriu o envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) com o tráfico de drogas na região e mostrar a degradante situação das cadeias em diversas cidades da Bahia. Pra isso, tínhamos o apoio de policiais (ligados ao sindicato), delegados, juízes e promotores. Todos diziam que era preciso mostrar a situação das delegacias, que tinham presos em celas superlotadas e destruídas.
E é preciso levar a sério esse problema. Por isso, rodamos mais de mil e quinhentos quilômetros em 48 horas. E o que aconteceu? Todos deram pra trás. Os policiais-sindicalistas disseram que era melhor "não arriscar".
- "Já, já é tempo de dissídio. E se a gente bater, sabe como é, não tem aumento...", disse o investigador.
O delegado pediu pra gente nem gravar a fachada da delegacia. Ele podia ser punido, perder o cargo e teria o salário diminuído. O juiz, depois de uma conversa de duas horas e meia, nos entregou algumas fotos. Mas achou melhor não se 'expor'. E a promotora não nos recebeu. Mandou servir um café do lado de fora do prédio do Ministério Público. Como se o problema não fosse de todos nós. Mas a gente não esqueceu.
Em tempo: não aceitei o café da promotora.

 As celas

 Cadeia feminina tem apenas uma cela

 
O chuveiro
 
 O banheiro

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