quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quando o silêncio diz tudo

Enquanto íamos ao Cemitério Quarta Parada, na zona leste, para o velório do universitário Vitor Hugo Deppman, pensei quantos enterros já não cobrimos e quantos mais ainda teremos que ir. Essa é a pior pauta do mundo. Me recuso a abordar famílias que velam seus parentes para conseguir uma entrevista. Nem me aproximo. Se a pessoa quiser falar, a iniciativa terá que ser dela. É a únicia forma que encontro de respeitar a dor, de não tratar a morte de alguém como mais uma reportagem.
Sei que, muitas vezes, não é bem isso que se espera de um repórter. Mas é assim e ponto. E não quero aqui ditar regra ou criticar quem trabalha de outra forma. É só o meu jeito.
Nos muitos velórios que fomos poucas vezes vi tanta dor. Estava estampada no rosto das pessoas. O silêncio cortava como navalha. O repórter cinematográfico Ronaldo Dias, os editores Guilherme Zwetsch (texto) e Fernando Capellari (imagem) e eu tentamos transportar esse sofrimento para a matéria, com respeito e sem "espetáculo".
O silêncio falou por todos nós.
Em tempo: A mãe de Vitor, Marisa Deppman, deu uma rápida entrevista, que aparece na matéria. Não foi pra mim. Eu não conseguiria.

 

Um comentário:

  1. É um orgulho trabalhar com profissionais como vocês, em quem me espelho e tenho como referência para o meu futuro no jornalismo! Parabéns!

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